sábado, 4 de agosto de 2012

Eleições: Alguns prefeitos mineiros desistem de concorrer ao segundo mandato

zelia nenem 300x175 Prefeitos mineiros desistem de concorrer ao segundo mandatoProblemas de saúde, idade avançada e queixas em relação às dificuldades de caixa devido à queda no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) estão entre os motivos alegados pelos prefeitos de primeiro mandato para abrir mão de disputar a reeleição.

Zélia 
[foto a esquerda] prefeita de Angelândia do PSDB, desistiu de concorrer a reeleição após realizar uma pesquisa local onde não obteve boa aceitação, indicou como candidato Cássio, vereador local, que disputará com Nenem Pimenta [foto a Direita], da oposição, que encontra-se como favorito em ocupar o cargo máximo na prefeitura em 2013.
Os números das últimas eleições municipais mostram que o peso da máquina administrativa é grande na hora de garantir o voto do eleitorado.


Em 2008, o índice de reeleição de prefeitos em todo o país foi de 67% e em Minas, um pouco superior, de 68,6%.
Mesmo assim, em muitos municípios mineiros, os prefeitos desistiram de concorrer este ano.

Além da falta de verbas para obras, alguns administradores reclamam do rigor imposto pelos órgãos fiscalizadoes à utilização dos recursos. “O país avançou de tal maneira que órgãos como Tribunal de Contas e Ministério Público exigem das prefeituras uma administração muito transparente em relação aos gastos.

Mas o eleitor dos pequenos municípios ainda acha que prefeitura é lugar de ganhar as coisas ”, alega Jadir Guedes Silva (PSDB), prefeito de Frei Gaspar, no Vale do Mucuri.

Na mesma região, uma das mais pobres do estado, por razões semelhantes, pelo menos cinco outros prefeitos de pequenas cidades resolveram não tentar a reeleição.
José+Alves,+José+Rivelino+ pres+PT,+e+prefeito+João+Pereira Prefeitos mineiros desistem de concorrer ao segundo mandatoPrefeito de Itaobim, João Pereira (em pé, na foto), não quis reeleição, e lançou seu companheiro petista,  ex-prefeito José Alves (2001-2008), sentado, de camisa azul. 
Guedes Silva acusa os governos estadual e federal de transferirem encargos aos municípios, sem oferecer contrapartida financeira. “Se vem um carro para a prefeitura, é mais despesa. Se cria um programa novo, não há recursos de custeio. Além disso, o governo federal criou piso nacional de salário dos professores, mas não dá condições às prefeituras de pagarem”, argumenta.

Diante do quadro adverso, ele decidiu não disputar e apoiar para sua sucessão o empresário Lauro Franco (PHS).

not 3f076279066ea895306a77f5a879a5a4 Prefeitos mineiros desistem de concorrer ao segundo mandatoO prefeito de Padre Paraiso Fabricio Gomes Costa (DEM) também desistiu de disputar a reeleição. Ele é filho do ex-prefeito Walmir Silva Costa, o Miquinho que colocou o filho em seu lugar quando foi impedido de concorrer à prefeitura.
O quadro de dificuldades enfrentado pelos pequenos municípios também é a razão apontada pelo prefeito de Conceição da Barra, no Campo das Vertentes, Cornélio Galdino de Paiva (PMDB), para não entrar na disputa.

Depois de dois mandatos como vereador, dois como vice-prefeito e um como prefeito, ele conta que a “decadência do FPM” foi um dos principais fatores que o levaram a pendurar as chuteiras. “Os recursos do Fundo de Participação diminuíram muito. Assim, fica cada vez mais difícil administrar os municípios pequenos, que dependem dele”, afirma ele, que também reclama do Minstério Público. “Os promotores, às vezes, até parecem querer controlar a prefeitura. De tudo a gente tem que prestar obediência a eles. O prefeito, hoje, não tem mais autonomia”, diz Galdino, que decidiu apoiar o ex-prefeito Tadeu Souza (PMDB).

Licitações 
Só no Norte de Minas, 11 prefeitos de primeiro mandato decidiram não concorrer à reeleição.

A decepção com a política e a falta de recursos da administração municipal também são os motivos alegados pelo prefeito de Francisco Sá, no Norte de Minas, José Mário Pena (PV), para desistir. “Eu preferi não disputar porque as coisas estão muito difíceis para as prefeituras. As obrigações dos municípios são muitas, mas quase sem nenhuma contrapartida dos governos do estado e federal. A gente não consegue viabilizar os anseios da população”, argumenta Pena, que já exerceu o cargo também entre 1983 e 1988. Ele reclama ainda da Lei das Licitações, que, segundo ele, “engessa” a prefeitura.
“No nosso município a areia é facilmente encontrada, mas a empresa que venceu a licitação para fornecer o produto à prefeitura é de Montes Claros (44 quilômetros de distância). Uma empresa do Rio Grande do Sul venceu a licitação para fornecer pneus. Toda vez que uma máquina precisa de um pneu é necessário esperar a mercadoria vir do Sul do país”, exemplifica. Há queixas também em relação à Câmara: “A grande maioria dos vereadores só vota os projetos do executivo atrás de algum favor em troca. Eu encaminhei uma ação para a Justiça, denunciando que os parlamentares tinham uma complementação salarial por meio do recebimento de diárias e eles tentaram me retaliar, votando contra meus projetos”. Ele abriu mão até de fazer o sucessor. “Cruzei os braços na campanha eleitoral e vou anular meu voto”, anunciou.
Manoel Capuchinho (PSDB), prefeito de São João do Paraíso, Norte de Minas, garante: “Não está compensando ser prefeito”. Apesar de reclamar da queda do FPM – “devido a problemas herdados de administrações passadas, o FPM ficou bloqueado por quatro meses, o que nos prejudicou demais” –, o tucano tem como alvo predileto a Câmara, que o afastou duas vezes do cargo. Ele só voltou por ordem do Tribunal de Justiça. Capuchinho também não é um novato, foi prefeito entre 1993 e 1996 e tem como candidato José Aparecido dos Santos (PTB), o Deda.

 Até coronel se despede

Com 84 anos, Joaquim de Deja, como é conhecido o prefeito de Monte Azul, no Norte de Minas, Joaquim Gonçalves Sobrinho (DEM), decidiu se aposentar de vez, depois de 50 anos de vida pública: foi vereador por três mandatos, vice-prefeito por três vezes e prefeito também por três vezes.

O currículo lhe rendeu o apelido de “último coronel do Norte de Minas”.
Apesar de dizer que Deja refuta a fama, o filho dele, Aroldo Gonçalves, agente administrativo da prefeitura, lembra uma marca impressionante do político, a quantidade de afilhados no município: são mais de três mil, a grande parte na zona rural de Monte Azul. “Existe casa em que meu pai tem sete afilhados de batismo”, conta.

Apesar de não concorrer à reeleição, Joaquim de Deja apoia a candidatura do ex-prefeito José Edvaldo Antunes (PP) e, mesmo com a idade avançada e os problemas de saúde, promete participar de visitas às comunidades rurais do município durante a campanha.
Bem mais novo, o prefeito de Francisco Dumont, no Norte de Minas, João Geraldo Azevedo (PR), de 65 anos, defendeu a alternância no cargo. “Eu poderia concorrer e ganhar a eleição, mas acho que temos que dar a oportunidade para outro participar”, afirmou, anunciando apoio à candidatura de Evaldo Dimas Leite (PHS), que foi seu adversário em 2008 e enfrenta um ex-aliado do prefeito, o ex-prefeito Carlos Mário Pereira (PMDN).

O prefeito de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, João Pereira Santos (PT), também em primeiro mandato, conta que decidiu não se candidatar novamente para dar uma chance a outro petista de disputar a prefeiura. “Eu entrei para ser prefeito somente por quatro anos mesmo. Como o partido tem outras boas opções, preferi dar a oportunidade a um companheiro”, garante ele, que apoia o médico José Alves Oliveira (PT), que foi prefeito entre 2001 e 2008.
Também há casos de prefeitos que foram obrigados a abrir vaga a outro filiado do seu partido, como José Miranda (DEM), de Espinosa, no extremo Norte de Minas.

Segundo correligionários, o candidato Lúcio Baleiro, ex-prefeito, ganhou a vaga por controlar a legenda no município.
Aposentadoria forçada
Em Montes Claros, o prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB) se preparava para a quarta disputa ao comando do município, mas acabou desistindo, alegando problemas de saúde, em 25 de junho. O anúncio foi feito depois das denúncias que o envolveram em investigações feitas pela Polícia Federal e Ministério Público sobre fraudes em licitações. O prefeito decidiu não participar da campanha e o partido dele, o PMDB, apoia a candidatura do ex-deputado estadual Ruy Muniz (PRB), que, até então, fazia posição à atual administração.

Fonte: Luiz Ribeiro, do Estado de Minas, em 01/08/2012 com alterações/Portal Aranãs

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