terça-feira, 16 de outubro de 2012

Motorista conta como socorreu menina que escalou penhasco para salvar irmã após acidente envolvendo capelinhense

Foram sepultados na segunda-feira os corpos de Geraldo Argel Marques, de 56 anos, Rosângela Pires Marques, de 49, e Mônica Regina Mapa, de 46, que morreram domingo de manhã no km 374 da BR-381, em São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central do estado, depois que o carro em que viajavam caiu numa ribanceira. No veículo, um Gol, também viajavam as filhas do casal, Sara Pires Marques, de 8, e Karine Pires Marques, de 10, que só se salvaram graças à coragem de Karine, que mesmo ferida escalou uma altura de 100 metros para pedir socorro.


A criança fez esse percurso e foi vista pelo motorista Gilson de Fátima Fausto, de 44, que viajava em companhia da mulher, Adriane Parreiras de Souza, de 38, e do filho, Giovani, de 17. Ele viu quando Karine, com a perna fraturada, pedia socorro. Ontem, Gilson, que é caminhoneiro, destacava a bravura da menina e a emoção de ter ajudado a salvá-la. “Logo que a vimos, imaginamos duas coisas. Ou era uma armação para algum assalto ou alguma criança que tinha sofrido um acidente. Eu passei dela, mas nós resolvemos parar, pois ela poderia estar precisando de ajuda”, conta Gilson, ainda surpreendido com o esforço de Karine.


“Foi muito impressionante. Aquela criança estava com um pedaço de pano na perna machucada e veio em nossa direção de braços abertos e chorando muito. Pedia para nós trazermos os pais e a irmã, que estavam dentro de um carro no barranco. Só pode ter sido coisa de Deus”, conta Gilson, que voltava de São Domingos do Prata, onde havia passado o feriado no sítio de parentes, para Betim, na região metropolitana, onde mora.


A mulher do caminhoneiro, Adriane, contou que
colocou Karine no carro e tentou acalmá-la. “Ela me pedia o tempo todo para salvar a irmã menor. Falei para ela ficar tranquila e lhe dei água”, diz Adriane. Enquanto isso, Gilson descia o matagal com Giovani, procurando onde estava o carro acidentado. Pai e filho tiveram muitas dificuldades para chegar ao local e tiveram ajuda de outro motorista, que ajudou nas buscas. “Esse rapaz conversou um pouco com a garotinha e ela conseguiu explicar que o carro tinha batido em uma pedra. A partir daí fomos seguindo um possível caminho e encontramos o veículo de lado em uma vala com os ocupantes amontoados no interior”, conta Gilson.

Ele diz que nesse momento viu a cena mais difícil. A pequena Sara estava embaixo do pai, desmaiada. “Achei que eram quatro vidas perdidas. Mas começamos a mexer no corpo da menina e ela respondeu com pequenos movimentos. Fomos subindo com ela no colo, nos revezando. Cada hora um carregava um pouco. Fiquei muito triste em não poder salvar também o pai, que parecia estar vivo. Só que ele era mais pesado, mesmo que conseguíssemos tirá-lo do carro, não iríamos passar do primeiro paredão de três metros. Chorei bastante”, conta o caminhoneiro.

Ao alcançar a rodovia, carregando Sara, eles permaneceram por algum tempo à espera dos primeiros socorristas, dos Serviço de Resgate Voluntário (Servor) de João Monlevade. Depois, a família seguiu viagem. 

Conhecedor da BR-381, por onde viaja há mais de 18 anos, ele já cansou de ver os acidentes no trecho quando leva mercadorias do Rio de Janeiro para Ipatinga ou João Monlevade. E criticou a falta de infraestrutura de resgate. “Essa estrada é um tormento. Todo dia os acidentes surgem. O governo deveria manter um helicóptero de resgate na 381. Se existisse essa opção, talvez o pai das duas garotas pudesse se salvar. Alguma coisa precisa ser feita com urgência”, desabafa.

FONTE UAI

3 comentários:

valdecy disse...

lamentavel,deixo aqui meus pesames a familia das vitimas que deus as comforte.

Analice Campos disse...

Espero que as autoridades competentes acatem a sugestão de uma equipe de resgate aereo em casos de acidente na BR 381 acordem autoridades não fechem os olhos para algo que está ao alcance de vocês.
Analice
Capelinha MG

Analice Campos disse...

Espero que as autoridades competentes acatem a sugestão de uma equipe de resgate aereo em casos de acidente na BR 381 acordem autoridades não fechem os olhos para algo que está ao alcance de vocês.
Analice
Capelinha MG

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