sábado, 12 de janeiro de 2013

Crise na prefeitura coloca em risco Carnaval de Diamantina


O Carnaval de Diamantina, um dos mais tradicionais de Minas, está ameaçado. A prefeitura da cidade do Vale do Jequitinhonha não tem dinheiro para fazer a festa, que, a cada ano, atrai quase 50 mil foliões. 

O principal motivo que pode levar ao cancelamento da festividade é a turbulenta troca na administração do município. O prefeito interino, Maurício da Paixão (PSDB), afirma ter recebido a cidade "com problemas financeiros e administrativos" e sem nenhum planejamento para o Carnaval. 
Com uma dívida estimada em mais de R$ 4,5 milhões, o tucano foi obrigado a editar um decreto na última quarta-feira - menos de um mês da data da maior festa da cidade - declarando estado de emergência e admitindo a dificuldade em organizar de forma satisfatória a folia. 



Segundo a secretária de Cultura de Diamantina, Bia Betelli, "a situação é muito difícil" e não está descartada a possibilidade de a festa ser cancelada, gerando prejuízos para o comércio local e para os turistas que já estavam com a viagem planejada. "Nosso maior problema foi a falta de um projeto. O Carnaval é planejado pelo menos seis meses antes da data. E, simplesmente, não foi feito nenhuma estimativa dos custos da festa", argumenta. 

Em 2012, a prefeitura investiu R$ 860 mil no Carnaval. Desse total, R$ 300 mil foram repassados pelo governo do Estado, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. "Não houve tempo de a nossa gestão tentar recursos com o Estado. Então, a gente, que está sem dinheiro até para manter o funcionamento da prefeitura, teria que arcar com todas as despesas, inclusive o pagamento de horas-extras para os funcionários", alega a secretária. 

Para a festa, é de responsabilidade da prefeitura garantir serviços como atendimento médico, segurança, coleta de lixo, proteção ao patrimônio público e até mesmo a estrutura de palco para os shows. O resto da estrutura é organizado pelo setor privado. 

Alternativas. A preocupação é grande, porque, como se trata de um Carnaval de rua, não há como evitar a aglomeração de pessoas e desfiles de blocos. Ontem, secretários municipais se reuniram com o prefeito para estudar formas de garantir uma estrutura mínima para a festa. "Em 2012, foram quatro palcos. Podemos fazer menos agora. Estamos conversando com o empresariado e tentando dividir as despesas. Quem sabe eles não arcam com a segurança?", propõe a secretária. 
Uma definição sobre se Diamantina terá ou não Carnaval em fevereiro deve sair na segunda-feira, após encontro entre o prefeito e comerciantes da região. 


OTEMPO

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