quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Brasil corre risco de racionamento de energia


O brasileiro pode ter que conviver com o racionamento de energia, situação que ocorreu em 2001, se as chuvas não colaborarem e o consumo continuar crescendo, segundo especialistas do setor. Para eles, o atual nível dos reservatórios é preocupante. "Já estamos vivendo uma situação crítica", observa o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Ele não descarta a possibilidade de racionamento entre o fim deste ano e o início do próximo, quando o país recebe a Copa do Mundo. "Podemos reviver o que já aconteceu no passado. Claro que vai depender do desempenho das chuvas e do consumo, que está sendo incentivado pelo governo com a tarifa mais baixa. De toda forma, mesmo que não haja o racionamento, o consumidor vai pagar com juros e correção o que está acontecendo no setor energético hoje, que é a utilização das térmicas, que têm custo mais alto, fora o desestímulo aos investimentos, com a tarifa mais baixa", analisa.



O consultor de energia elétrica Rafael Herzberg ressalta que o país começou 2013 com o nível dos reservatórios mais baixo que o verificado em 2012. "Era para estar praticamente cheio. No geral, o período mais crítico é no meio do ano, quando há seca. Se continuar dessa forma, a situação poderá se agravar", diz.

O nível de armazenamento dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste deve chegar a 54,2% no fim de março, segundo previsão do Operador Nacional do Sistema (ONS). A projeção ainda está abaixo do ideal para o penúltimo mês do período tradicionalmente marcado por chuvas. No fim de março de 2012, esses reservatórios registravam 78,5% de armazenamento.

"A situação ainda não é tranquila", diz o professor da Universidade Federal de Itajubá, Jamil Haddad.

Para Herzberg, é possível que o país não tenha geração de energia suficiente. "Vivemos uma situação de desequilíbrio: tarifas mais baixas, mas energia com um custo mais alto em razão do uso das térmicas. Tal cenário não permite investimento", diz. O especialista afirma que é possível que haja racionamento, mas depende da combinação de crescimento da economia, consumo e clima. 

OTEMPO

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