terça-feira, 30 de abril de 2013

O Espetáculo São Franscisco de Assis à Foz se apresentará em Capelinha


 A Cia P’ Atuá de Belo Horizonte – MG convida a todos para as apresentações do espetáculo São Franscisco de Assis à Foz com o ator e diretor Glicério Rosário. Conhecido nacionalmente pela elogiada interpretação do personagem “Setembrino”, na novela Cordel Encantado, Glicério traz pela primeira vez à cidade de Capelinha seu trabalho solo em teatro, nos dias 11 e 12 de Maio, Sábado e Domingo, às 20 horas, no Espaço Ativa Idade.

As apresentações em Capelinha fazem parte da turnê do espetáculo por cinco cidades que integram o Vale do Rio São Francisco, com patrocínio do Programa de Cultura Banco do Nordeste / BNDES – Edição 2012. Considerando que a encenação integra Homem e Rio traçando o itinerário que vai de Assis, cidade originária do Homem São Francisco, até a Foz, local de deságue do Rio São Francisco; o projeto pretende fazer um percurso análogo, incluindo cidades integrantes da trajetória “nascente-foz” do rio.
A montagem tem como fonte inspiradora o romance O pobre de Deus, de Nikos Kazantzakis, e O Irmão de Assis, de Inácio Larrañaga. No processo de criação o grupo se valeu, ainda, de materiais diversos sobre a vida de Francisco (filho de Pedro Bernardone, rude e abastado comerciante de Assis, e Dona Picá, mãe extremamente amável e de fervor religoso); e de estudos e debates sobre a sobrevivência do Rio São Francisco. Evitando o lugar comum de reconstituir lendas da vida do santo ou de lançar um discurso sobre preservação ecológica, a encenação funde os dois São Franciscos, "homem" e "rio", para falar de Amor.
 Na construção dramatúrgica, fatos, relatos, trechos da regra da Fraternidade dos Irmãos menores, foram sendo selecionados de modo a serem usados num discurso ambíguo, em que fatos, histórias, estudos e cultura popular sobre o Rio São Francisco pudessem estar presentes. Assim, em cena, temos um Francisco que traz uma palavra poética, podendo ser o discurso do homem, como o discurso do rio. A personagem em cena vai criando um percurso de luta em que, com extremo amor, vai vencendo as barreiras para chegar ao seu destino, que é tanto Deus, quanto o Mar.
 A estética da montagem configura um sertão a partir de elementos cenográficos simples, invocando a aridez geográfica do sertão franciscano. O elemento central da cenografia é um amontoado de pedras. Reforçando a poética da encenação, as pedras  carregam sentidos múltiplos: pedradas de agressão, pedras para reerguer a casa de Deus, pedras do leito do rio, pedras do leito de morte. A iluminação reforça a poética, extraindo das pedras, em sombras e penumbras, figuras que lembram expressões humanas. A trilha aposta nos ruídos de elementos naturais, silêncios e timbres que se harmonizam com a aridez cenográfica.


Na história do homem que encontra vários percalços em direção a Deus, os mesmos elementos sugerem sentidos ampliados no percurso do rio que encontra obstáculos para chegar ao mar. Conceitualmente e esteticamente, a montagem une o sertão e a cidade italiana de forma anacrônica, dando atemporalidade e universalidade ao conceito de amor. A montagem propõe uma reflexão para este tempo de conflitos políticos, geográficos, religiosos, culturais; para este tempo em que os desenvolvimentos materiais e intelectuais aumentam a distância entre as pessoas. O Amor é apresentado como símbolo de elevação e integração.  

Tendo como exemplo as palavras do texto, ditas pelo personagem homem-rio, “Eu sou molécula de água, Deus é mar!”, a circulação pelas cidades pretende difundir a ideia de amor como forma de integração; integração que o Rio já significa. O projeto objetiva uma revisitação à relação sacra com as águas do velho Chico, a partir do exemplo de vida do Homem que deu nome ao Rio.

Reconhecido e respeitado ator, diretor e dramaturgo de Belo Horizonte, em seus 20 anos de atividade teatral, Glicério Rosário recebeu vários prêmios. Por sua atuação em São Franscisco de Assis a Foz foi premiado pelo SESC-SATED-MG/2009 como MELHOR DIRETOR, premio que divide com Geraldo Otaviano, e MELHOR ATOR; a peça recebeu ainda o prêmio de MELHOR ESPETÁCULO.  A encenação investe nas potencialidades expressivas do ator, nas soluções a partir das possibilidades vocais, corporais e criativas do intérprete, e em cenário e figurino despojados, de variadas simbologias.

SINOPSE


O amor contagiante de um homem que busca a Deus; a força de um rio que busca o mar: uma fusão poética do santo e do rio. Melhor Espetáculo de 2009 (Sesc-Sated/MG) fala de Francisco de Assis, que abre mão de riquezas para servir aos pobres. Ao mesmo tempo, fala do rio São Francisco que atravessa o sertão para chegar à foz. Uma interpretação poética e visceral da vida do homem de Assis, ambientado e transfigurado no rio que integra o sudeste e o nordeste. Espetáculo ganhador também dos prêmios de Melhor Diretor e Melhor Ator. 

Um comentário:

João Valadares disse...

O espetáculo é lindo! Merece ser visto!

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