sexta-feira, 12 de julho de 2013

Anônimos, “fakes” e outras baixarias



Por João Sampaio
 (Jornal Acontece,  Capelinha MG)

Houve um tempo na política em Capelinha - e mesmo em outras cidades da região - em que perder as eleições não era exatamente o maior temor dos candidatos. O medo principal era das terríveis “cartas anônimas”. Quem se dispusesse a entrar em uma disputa eleitoral tinha, então, que entrar preparado para a batalha das urnas sabendo que haveria, no meio do caminho, uma carta anônima, com as “baixarias” e “fuxicos” que faziam corar até o mais frio dos mortais. Mas esses tempos passaram, graças a Deus...

Passaram, nada. Lamentavelmente, as cartas anônimas continuam. Apenas mudaram de forma e de “logística”, digamos assim. Adaptaram-se ao mundo novo dominado pela Internet. Agora, em vez de entregues por baixo das portas na calada da noite, as cartas anônimas chegam ao povo por meio de postagens nas redes sociais, sobretudo “comentários” em blogues e criação de perfis falsos (“fakes”) no Facebook.

Sem nome, sem rosto, sem identidade e sem escrúpulos também, os novos “comentaristas” são mestres na arte de espalhar fuxicos, maledicências, desinformações, conclusões precipitadas, ilações e mentiras. Distorcem propositadamente as informações, confundem os mais desatentos e assim vão saciando o desejo de atiçar a fogueira, de fomentar a cizânea e de ver o circo pegar fogo.

Tais comentários não
deveriam valer de nada, mas, a partir do momento em que “caem na rede”, tornam-se públicos, capazes, mesmo no abrigo covarde e criminoso do anonimato, de causar alguma influência, de provocar especulações e, por fim, de alimentar uma perigosa e insustentável rede de intrigas.

É razoável acreditar que os comentaristas anônimos de hoje são mais perigosos que os autores das cartas anônimas do passado. É que, se antigamente eram poucos os anônimos capazes de aventurar-se por estratégia tão perigosa e arriscada, nos tempos de hoje os anônimos viraram uma comunidade virtual difícil de dimensionar.

Covardemente, deliberadamente, distorcem a grandeza contida no artigo 5º da Constituição Federal, que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. Isso porque, se o parágrafo IX estabelece que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, fazem de conta que não sabem do parágrafo IV: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. A regra é clara, como dizem os comentaristas de futebol: quem pratica o anonimato pratica um crime. É bom os “futriqueiros anônimos” pensarem nisso!

Um outro tipo de anônimo, um pouco mais sofisticado do que os “comentaristas de blogues”, são os criadores de perfis falsos no Facebook, conhecidos como “fakes”. A partir de nomes, fotos, descrições e interesses cuidadosamente criados para proteger ao máximo o verdadeiro dono do perfil, os “fakes” têm geralmente “vida curta”, mas ainda assim são capazes de provocar estragos incalculáveis.

Estes “desocupados” lançam-se no Facebook sorrateiramente, criam uma rede de “amigos”, depois compartilham algumas fotos e mensagens e por fim põem as manguinhas de fora, disparando palpites e frases calculadas para os fins a que sem propõem. Geralmente, fins nada nobres. Até porque, se fossem nobres, não seriam “fakes”, não se esconderiam no anonimato e nem se submeteriam a viver no sombrio mundo da falsidade, da hipocrisia e do charlatanismo. Doentios e perversos, desaparecem da mesma forma sorrateira como surgiram. E geralmente criam outro perfil, já que, como dizem os estudiosos da mente humana, “o proibido seduz”.

Finalizamos este Editorial lembrando que há casos, muito específicos por sinal, em que o anonimato não apenas é legal e legítimo como também é crucial para salvaguardar revelações preciosas e que envolvem questões de Estado, casos de corrupção, fraudes e mesmo crimes contra a vida. Daí a importância do parágrafo XIV do já citado artigo 5º da Constituição Federal: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. Para os jornalistas profissionais, trata-se de um dos mais preciosos aliados no ofício de prestar a informação correta sem comprometer as fontes noticiosas, algo como “revelar o milagre sem contar o santo”. Uma prerrogativa respeitada em todas as nações que vivem sob um Estado Democrático de Direito.


Nessa categoria também estão as fontes que sustentam o trabalho do WikiLeaks - um site noticioso que tem revelado ao mundo os meandros da política e da diplomacia internacional. O resto é puro fuxico, sem mérito ou honraria nenhuma, mas capaz de estragos irremediáveis. Agradecendo a cada um dos nossos leitores, entregamos esta edição e já começamos outra, com as bênçãos do Criador. Obrigado e boa leitura a todos!

8 comentários:

Anônimo disse...

Sou um anonimo e axo isso bom,saber pq?pq em capelinha se voce comentar alguma opiniao sua sobre a atual administracao voce sera crucificado e nao consegue ajuda nunca de servico e saude e outras coisas.por isso que gosto do anonimo pq o anonimo fala oq todos querem falar mas tem medo de dar cara a tapa.como diz o ditado neh,a corda so arrebenta pro lado mais fraco

Rosimere Cordeiro Ferreira disse...

Sou contra essa forma de comunicação. É lamentável alguns comentários, principalmente aqueles que ferem a imagem das pessoas de forma pequena e sem respeito algum. Sobretudo, tento compreender muitos daqueles que se "escondem" com medo de repressão - pois o que vemos é que expor nossa própria opinião incomoda muita gente - fato que gera a ira dessas pessoas e muitas vezes represálias.

DANIELZINHO DO PIEDADE disse...

No Brasil graças deus as pessoas tem essa ferramenta pois através dela descobrimos mandos e desmandos em nosso meio...e quem é público tem que ter peito pra ouvir e responder se tiver capacidade..agora podre mesmo são meios de comunicação que destorcem a verdade... pois fato é que são subsídiados pelo poder publico....

DANIELZINHO DO PIEDADE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Parabens Danielzinho pelas sabias palavras, tem mto meio de comunicação que fica querendo influenciar as pessoas e nao deixa ninguem informado sobre que realmente esta acontecendo em Capelinha, Este Jornal Acontece e o UAI ate agora nao falaram a verdade sobre o desvio de 4 milhoes e meio que teve na Prefeitura, sera o porque?

DANIELZINHO DO PIEDADE disse...

Realmente... mas que te digo com toda certeza isso certamente acabará numa Béla italiana de oito fatias...

Anônimo disse...

Danielzinho da piedade tem toda razão,é isto mesmo que acontece..

Anônimo disse...

Essa Capelinha é muito é mal agradecida. Tem um jornal do nível desse Acontece e ainda aparece gente para falar mal. Se fosse em outra cidade aposto que estariam dando mais valor.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...