terça-feira, 19 de novembro de 2013

Interessante: escola cria moeda virtual para premiar alunos por bom comportamento

Tâmila foi aprovada em todas as disciplinas, conseguiu nota máxima em química e não masca mais chiclete em sala de aula. Lorrayne melhorou em matemática e mantém o celular na bolsa desligado. Sílvia não esquece mais material escolar em casa e Matheus já não conversa tanto com os colegas ao lado. A turma tem endereço: Escola Estadual Elias Salomão, em Mateus Leme, na Grande BH, que desenvolveu o Projeto Elits para incentivar o estudante a ser bom aluno e cidadão. Os bons hábitos de estudo e o compromissos com o aprendizado valem uma quantia de moeda virtual, batizada de elits, para trocar por produtos em lojas da cidades. Há outros prêmios, como bolsa de estudo para curso de inglês.
Além dos benefícios, o aluno tem de fazer a sua parte. Quem faltar à aula, não entregar os deveres, furar a filas ou desrespeitar colegas e professores tem um desconto no que já recebeu. A escola atende alunos do 6º ao 9º período do ensino fundamental e do ensino médio. A ideia começou neste segundo semestre. “Pensamos em criar algo para melhorar o rendimento dos alunos. Mostramos à diretoria projeto e ela gostou. Reunimos todos os professores e eles abraçaram a ideia”, conta a coordenadora do Projeto Elits, professora Eliete Vitória de Oliveira Diniz.


O aluno ganha ou perde moeda virtual. “Se ele vier sem uniforme, perde 100 elits. Se não faz o dever de casa, perde 50. Agora, se ele fizer todos os deveres da semana, ganha 300. Se o aluno deixa de fazer o dever um dia, além de perder 50 elits, ele perde a chance de ganhar os 300 da semana ”, conta. Os alunos podem ver sua a pontuação pela internet e, dos 1,2 mil estudantes, 1,1 mil já se cadastraram. “Os pais podem acompanhar de casa o comportamento do filho e muitos questionam o filho quando ele está perdendo elits”, disse Eliete.

Parcerias
Para premiar os alunos, a escola buscou parceiros em Mateus Leme e e recebe doações, como bicicletas, aparelho de TV, DVD, som, skate, vales-compras para roupas e calçados e mochilas, entre outros brindes. Já são 40 comerciantes e empresas participantes. Para alguns lojistas, o saldo em elits vai ser um dos critérios para a contratação de menores aprendizes. Dono de uma loja de bicicletas e motos, César Lúcio Alves, de 40, acha que o que falta da vida de muita gente é a oportunidade. “A gente tem que mostrar o caminho certo para esses jovens”, disse o empresário, que emprega adolescentes de 16 anos que estudam na escola.

Uma autoescola oferece 10 bolsas de legislação para alunos candidatos a motorista. Um estúdio fotográfico doou um álbum com 20 fotos e o aluno é preparado por um salão de beleza que também é parceiro. Uma loja de motos doou um capacete e uma pizzaria dará um rodízio para a família do aluno. Até um luau está programado para 200 alunos na escola.

Incentivo aos estudantes
“Melhorei bastante as minhas notas, principalmente em matemática. A gente passa a ter mais compromisso com os deveres escolares e com outras atividades”, disse Lorrayne Tavares, de 16 anos, orgulhosa de não ter perdido nenhum Elits. Sílvia Letícia Rezende Santos, de 15, disse que as cobranças aumentaram. “A qualquer coisa que você faça de errado, perde pontos. Mas os prêmios são muito legais e não quero perdê-los. Já estou de olho em um skate”, disse a adolescente.

Tâmila Adriane de Sousa, de 15, disse ter ficado surpresa com a mudança em sua turma. “Todo mundo ficou estudioso de uma hora para outra. Meus colegas estão fazendo menos bagunça em sala de aula”, observou. Ela conta que seus pais apoiam totalmente o projeto. “Ficaram até mais tranquilos comigo”, disse a estudante, que está de olho numa bolsa de estudo de inglês.

A agente de saúde Simone Batista Correia, de 44, tem dois filhos na escola e conta que está surpresa com a mudança deles. “Achei o projeto interessante. pois incentiva os alunos a terem mais compromisso com a escola e mais responsabilidade. O projeto ajuda a formar o caráter do aluno. Vai ter mais comprometimento quando estiver adulto, trabalhando”, disse a mãe.

O nome elits não é uma homenagem ao seu nome, ressalta Eliete, mas ao da escola, Elias Salomão. Diariamente, ela atualiza as tabelas no site www.eliassalomão.com.br. São 36 turmas, de manhã, à tarde e à noite. Cada aluno cadastra uma senha para acessar o programa. O login é o número da matrícula e a senha ele manda por e-mail para registrar. “Hoje, eles estão ganhando uma premiação. Amanhã, estarão ganhando para a vida, como profissional e como pessoa”, disse a diretora da escola Fátima Gaia. Segundo ela, a escola quer devolver à sociedade pessoas melhores, cidadãos que respeitam o meio em que vive.
UAI

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