sábado, 21 de dezembro de 2013

Mineiros estão entre os que mais se casam e que menos se divorciam no país

"Aprendi a ter mais paciência, a não repetir alguns erros, a tomar decisões sempre em conjunto", Ramalho Almeida Júnior, que se casou com Cristiane (foto), também divorciada

Os mineiros e belo-horizontinos se casaram mais e se divorciaram menos do que a média nacional no ano passado. E grande parte dos separados voltou a encontrar um companheiro. O comportamento, que favorece a criação de famílias, aparece no estudo “Estatísticas sobre o Registro Civil de 2012”, divulgado ontem pelo IBGE. Segundo esses dados, os casamentos aumentaram 4,7% em Belo Horizonte de 2011 para 2012, 2,1% em Minas Gerais, e apenas 1,4% na média do Brasil. Ao mesmo tempo, os divórcios tiveram uma queda leve no país, de 1,4%, maior em Minas, chegando a 5,1%, e muito significativa em BH: houve 25% menos dissoluções.
A queda dos divórcios, segundo o IBGE, se deve a uma acomodação dos números depois de uma alta verificada depois da edição da Emenda Constitucional 66. A norma possibilitou que, a partir de 2010, casais pudessem se divorciar sem prévia separação judicial por mais de 1 ano ou comprovada separação de fato por mais de 2 anos. Antônio Braz, analista do IBGE em Minas, aponta a emenda como fator principal para os divórcios saltarem de 4.516 em 2010 para 6.250 no ano seguinte, alta de 38%. “Os números indicam que em Belo Horizonte havia uma demanda reprimida de pessoas que queriam se divorciar mas não podiam e que aproveitaram a flexibilização do processo em 2011. Depois disso, houve um recuo natural em 2012, quando o fim de casamentos civis caiu para 4.686”, avalia Braz.

O aumento do número de casamentos, por sua vez, tem contribuição dos divorciados: muitos estão voltando a se casar. Na capital mineira, por exemplo, houve 4.597 pessoas que se uniram novamente em 2012 depois de terem dissolvido uma união civil anterior. O número é 219% maior em comparação a 2003, quando 1.438 divorciados formaram novos lares em BH. Os casamentos entre mineiros solteiros caíram de 80,6% em 2011 para 79,3% em 2012, mas ainda esão acima da média brasileira, que passou de 79,7% em 2011 para 78,2% em 2102. Minas é o estado do Sudeste onde mais solteiros se casaram. Como no país, porém, a duração média de relacionamentos em Minas caiu. Era de 16 anos em 2002, passou para 17 anos em 2007 e em 2012 caiu para 15 anos.

Amadurecimento Logo depois que foi promulgada a Emenda Constitucional 66 houve um aumento substancial do número de divorciados que voltaram a se casar em BH. Em 2011, foram registrados 2.956 casos, 19,28% a mais que em 2010. A funcionária pública Cristiane Ribeiro Almeida se casou pela segunda vez em 2011. Tinha apenas 20 anos na época do primeiro matrimônio, que durou de 1996 a 2004. “Houve uma separação de corpos, mas ainda vigorava a legislação antiga. Para evitar toda aquela burocracia, eu e meu ex-marido chegamos a um acordo de só nos divorciarmos mais pra frente”, conta. Com a mudança das regras, o divórcio foi oficializado em 2011. Na época, ela já estava namorando o também funcionário público Ramalho Almeida Júnior.

Quando se casou pela primeira vez, Ramalho também era jovem, tinha 25 anos. A separação ocorreu em 2010, e no mesmo ano ele iniciou a história de amor com Cristiane. Depois de três meses de relacionamento, o casal resolveu morar junto. Ele oficializou o divórcio em junho de 2011 e logo depois veio o novo matrimônio. Os dois acreditam que estão mais amadurecidos para o convívio a dois. “Na primeira vez, eu era muito impulsiva, agia muito pela emoção. Era meio egoísta, só defendia meu ponto de vista. Agora eu analiso mais, faço mais ponderações, sou mais flexível”, diz Cristiane, hoje com 37 anos. O marido, de 42, concorda. “No casamento anterior, eu queria que as coisas fossem como eu achava que era o correto. Aprendi a ter mais paciência, a não repetir alguns erros, a tomar decisões sempre em conjunto”, afirma.

Do primeiro casamento, Cristiane tem a filha Leandra Caroline Ribeiro, de 14 anos. Já Ramalho tem Matheus Almeida, também de 14. Marido e mulher planejam aumentar a prole no próximo ano. “Se for menina, vai ser Cecília. Se for menino, Ramalho Neto”, conta Cristiane, sorridente. E acrescenta: “Muita gente tem medo de um segundo casamento. São muitas frustrações, ressentimentos, mágoas... Mas nossa segunda relação é muito diferente. Temos mais amor, a mesma sintonia, os mesmos objetivos. Foi um recomeço”.

Retratos do ibge

Mineiros e Paulistas




Os paulistas são o grupo fora de Minas que mais se relacionou com os mineiros e gerou filhos em 2012. Foram 18.574 nascimentos de pais de Minas Gerais e mães de São Paulo e 16.207 mães de Minas que deram à luz a filhos com homens de SP. Os baianos vêm em segundo lugar.

Registros tardios


Minas Gerais é o terceiro estado onde houve menor registro tardio de nascimentos em 2012, com índice de 1,8%. O estado perde apenas para São Paulo (1,2%) e o Distrito Federal (1,7%). A média nacional ainda é considerada alta, chegando
a 6,2%.

Casamentos legais


Embora estável em relação a 2011, a taxa de nupcialidade legal (número de casamentos para cada mil pessoas de 15 anos ou mais) cresceu na última década em Minas Gerais, passando de 5,6 por mil em 2002 para 6,9 em 2012.

Acidentes e crimes


As mortes consideradas violentas, que ocorrem devido ao trânsito e a criminalidade, foram destaque negativo em Belo Horizonte, chegando a 10,4% dos óbitos registrados em 2012. O índice mineiro, de 9%, é menor do que o registrado no Brasil, de 10,3%.

Mortes de homens


A mortalidade masculina é excessivamente maior em Minas Gerais nas faixas etárias de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos. A proporção de óbitos masculinos em relação aos femininos superou a razão de 4 para 1 em 2012 e as causas, segundo o IBGE, são mais uma vez a violência urbana e nas estradas.

Estado de Minas 

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