domingo, 16 de março de 2014

Divisão entre PT e PMDB nos estados põe em risco vantagem de votos de Dilma

Partidos estão discutindo a relação em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul

A briga entre PT, Palácio do Planalto e PMDB ameaça custar mais caro do que simplesmente a criação de uma comissão externa para investigar a Petrobras ou a procissão de ministros para dar explicações aos deputados no Congresso. Ela pode significar a pulverização de uma vantagem de 2 milhões de votos que a presidente Dilma Rousseff conseguiu sobre os adversários José Serra (PSDB) e Marina Silva (ex-PV, hoje PSB) nas eleições de 2010. Ao todo, PT e PMDB estão em litígio em 11 estados. Em alguns deles, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o divórcio acontecera há quatro anos e deve se repetir agora. Em outros, como Ceará e Rio de Janeiro, no entanto, o litígio pode custar caro.

“O vento está mudando rapidamente. Ela ainda é favorita, claro. Mas, se for para o segundo turno, serão todos contra nós. E acho que podemos, sim, perder”, disse um petista, incomodado com o estilo pouco afável e político da presidente Dilma Rousseff. Ao todo, PT e PMDB estão discutindo a relação em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.


O secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, tenta amenizar o incômodo na relação. “O PMDB, eu sempre digo, não é apenas um aliado, ele participa do governo com a figura importante do vice-presidente (Michel Temer) e dos ministros, que ao longo desses anos foram tão camaradas e contribuíram tanto com a construção do nosso governo”, declarou, após solenidade no Palácio do Planalto na última sexta-feira. Presidente em exercício do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) também tenta ser otimista. “Sempre tenho colocado que, com a ampliação das alianças regionais nos estados, isso resolverá grande parte da crise”, afirmou ele.

Pré-candidato do PMDB ao governo do Ceará, o senador Eunício Oliveira acha que o partido não pode ceder no debate. “O que interessa para o PMDB, neste momento, não é este debate de mais cargos, menos cargos, mais ministério, menos ministério. Temos que discutir os palanques regionais, ter firmeza nessa discussão”, afirmou. O peemedebista não descarta ceder a vaga de senador ao tucano Tasso Jereissatti caso o PT prossiga tentando isolá-lo no estado.

Pressão fluminense

No Rio, a situação é completamente bipolar. No auge da briga entre as duas legendas, no carnaval, o presidente do PMDB fluminense, deputado estadual Jorge Picciani, anunciou que o partido apoiaria o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Na quinta-feira, Dilma recebeu, no Palácio da Alvorada, o governador do Rio, Sérgio Cabral; o prefeito Eduardo Paes; e o pré-candidato do PMDB ao governo estadual, Luiz Fernando Pezão. “No PMDB do Rio não há dúvida: nós estamos juntos com Dilma e Michel”, disse o governador do Rio após encontro com a presidente Dilma em Brasília e com o vice Michel Temer, no Rio, na sexta”.

A nomeação do deputado Neri Geller (PMDB-MT) para o cargo de ministro da Agricultura é uma tentativa da presidente de diminuir o prejuízo com o agronegócio. Em 2010, ela não foi bem em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, se levado em conta os resultados somados de Marina e José Serra. Foram quase um milhão de votos de prejuízo na conta para levar a fatura ainda em primeiro turno, algo que a presidente compensou com boas votações na Bahia, em Minas Gerais e em Pernambuco.

Nos dois últimos estados, o cenário deverá mudar radicalmente com as candidaturas presidenciais de Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE). Ambos, nos respectivos quintais, roubarão o PMDB do palanque dilmista. Aécio ainda espera angariar votos no Rio de Janeiro e torce para que Campos neutralize a vantagem conseguida pela petista na Região Norte.

Definições

Aécio e Campos lançarão até o fim deste mês as pré-candidaturas ao Planalto, em eventos, coincidentemente, marcados para São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O senador mineiro intensificará as viagens pelo Nordeste e pelo interior de São Paulo, para consolidar a própria imagem em locais que considera estratégicos para a campanha. Já o governador pernambucano pretende mudar-se em definitivo para São Paulo. Ele deverá montar o escritório de campanha próximo ao aeroporto. Na última semana, Eduardo alterou a estratégia, baseada em pesquisas qualitativas, e passou a atacar, nominalmente, o governo de Dilma Rousseff.

A culpa é da Bolívia

Um dia depois de ser vaiada em Araguaína (TO), na inauguração de um conjunto habitacional do programa Minha casa, minha vida, a presidente Dilma Rousseff enfrentou ontem uma nova saia justa em Porto Velho, ao sobrevoar as regiões atingidas pela cheia do Rio Madeira. Ela teve que responder às acusações de que as usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio seriam responsáveis pela pior cheia registrada no estado e que já deixou mais de 2 mil famílias desabrigadas. Dilma disse ser um “absurdo” atribuir às hidrelétricas o grande volume de água do Rio Madeira e culpou os rios da Bolívia. “A Bolívia está acima do Brasil em relação ao nível da água. Ocorreu uma imensa concentração de chuvas lá. Nós não temos essa quantidade, (tudo) vem da Bolívia. Não é possível (a enchente) ser culpa das usinas”, declarou.

UAI

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