terça-feira, 8 de abril de 2014

Quando se preza mais pelo futebol do que pela educação, é natural que Neymar seja um herói e Valesca Popozuda uma pensadora


Por Aléquison Gomes

Em defesa de um colega, professor de filosofia que nem conheço!

Fico indignado com o alarde que as pessoas estão fazendo nas redes sócias, na tv e jornais, por causa de uma brincadeira que um professor de filosofia fez com seus alunos em um colégio de Taguatinga no Distrito Federal. A euforia toda é simplesmente porquê em uma das avaliações, o professor colocou uma questão sobre a Valesca Popozuda, se referindo á ela como uma “grande pensadora da filosofia contemporânea do Brasil.

É obvio, que aquilo foi notoriamente uma tentativa de fundar uma descontração no ambiente, provavelmente nem pontos valia, essa questão.
Ai, querem crucificar o cara por causa disso. Toda essa gabolice, só nos mostra como a hipocrisia escorre em grande volume pelas barbas desse País.

Como as pessoas estão acostumadas a engolir camêlos e se engasgarem com mosquitos. Basta, uma frase irreverente em uma avaliação para o assunto virar pauta nacional. E ai todo mundo fica escandalizado...

Agora o engraçado, é que ninguém fica chocado com o descaso profissional e as péssimas condições de trabalho que um professor tem que suportar todos os dias em uma sala de aula. Quase ninguém quer saber o que um professor como esse, precisar enfrentar para atrair a atenção de alunos que aprenderam a viver no mundo onde não existem regras e nem o mínimo de reflexão.

Todo mundo fica espantado com o fato de alguém citar Valesca Popuzada na prova, mas ninguém fica chocado ao ler nos noticiários que muitos professores sofrem com doenças que são comparáveis aos traumas de guerra por causa das freqüentes dificuldades que precisam lidar no dia a dia. E ainda tem que dar os pulos para tentar atrair a atenção de alunos, se reinventando a cada aula, tentando ser criativo, mesmo correndo o risco de errar, como aconteceu com esse caso.

E vou te falar mais: se quiser algum resultado, de fato tem que ter muita criatividade, pois na situação em que vivemos, não adianta tentar querer chamar a atenção das pessoas falando sobre Immanuel kant, Rosseau, Hobbes e Sartre, num País, onde o herói é o Neymar.

É inútil tentar fazê-los se interessarem por Nietzsche, quando muitos deles que estão terminando o ensino médio, mal sambem ler e interpretar corretamente aquilo que estão lendo.

Não adianta falar em consciência coletiva, pensamento critico, desenvolvimento moral e ético, em um País, onde se gasta muito mais dinheiro com presos do que com alunos.

A concorrência é desleal. E ai; para atrai-los, o professor tenta fisgar a atenção deles assim: com a Valesca popozuda, que faz parte de um conjunto de figuras sociais que lhes são absolutamente familiares, no cotidiano. (Já fiz isso inúmeras vezes)

E não adianta você negar isso, chamando essas coisas de indecência, porque é com isso mesmo, que nós brasileiros estamos acostumados todos os dias...é com funk, ostentação, Valesca, lepo lepo, Faustão, Novela e futebol.

Não estou entrando no mérito da questão, se o cara que fez isso está pedagogicamente certo, ou errado, o que estou tentando dizer é que ficamos indignados por tão pouco, quando os verdadeiros culpados estão por ai, enchendo o próprio bolso, saindo ilesos e nós usando um professor que cometeu um erro, para desviar a atenção.

Infelizmente temos essa horrível tendência de exaltar aquilo que é mínimo e minimizar o que deveria ter nossa total atenção.

Não sei quais foram as verdadeiras motivações desse professor, mas fica aqui o meu abraço e incentivo aos milhares de professores que lutam todo dia com criatividade, para levarem um mínimo de conhecimento aos seus alunos, mesmo quando tudo a volta parece dizer que não vale a pena. Fica meu desabafo e meu abraço.

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