quinta-feira, 15 de maio de 2014

'Cabacinha’ ganha reconhecimento do IMA no Vale do Jequitinhonha


De origem italiana, o Cáccio Cavalo era feito inicialmente com leite de jumenta e consistia em um dos principais alimentos para o povo nômade. O nome "Caccio Cavallo" é resultado do processo de secagem: os queijos são amarrados aos pares por um barbante e pendurados numa vara de madeira "a cavallo" para secar. No Vale do Jequitinhonha o queijo recebeu o nome de cabacinha (por ter o formato de uma cabaça) e virou fonte de renda, gerando trabalho para os moradores da região.

Recentemente o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) reconheceu, oficialmente, o Vale do Jequitinhonha para produção do queijo Artesanal Cabacinha, por meio da Portaria nº 1403, publicada no Diário Oficial, no dia 10 de maio de 2014. O objetivo deste reconhecimento é padronizar os processos, incentivar e legalizar, medidas fundamentais para agregar valor e gerar renda.

Há pouco mais de dois anos, a produtora rural Maria José Torres Coelho participou de um curso de Derivados do Leite, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas) e aprendeu as técnicas de produção do queijo cabacinha.

“Foi um curso excelente onde a gente agregou valor ao produto, aprendeu a fazer os derivados do leite, entre eles o queijo cabacinha. Para quem já sabia fazer, o curso ensinou técnicas novas e mais simples de se fazer os produtos. Desde de 2011 que eu faço queijos cabacinha para vender lá na minha comunidade”, afirma Maria José.
Cabacinha
Instrutor do Senar Minas, José Ferreira Coelho, ensina técnicas de produção do queijo Cabacinha. (Foto: Diego Souza/G1)Instrutor do Senar Minas, José Ferreira Coelho,
ensina técnicas de produção do queijo Cabacinha.
(Foto: Diego Souza/G1)
O instrutor do Senar Minas, José Ferreira da Conceição Ferreira explica que o queijo cabacinha possui sabor semelhante ao dos queijos provolone e mussarela. A diferença está na preparação: é utilizado um leite mais magro. “Além do sabor ele tem uma característica artesanal que o torna mais atrativo para o consumidor. É um tipo de queijo que tem um valor bem maior do que o queijo comum”, garante Ferreira.
O processo de produção do queijo artesanal cabacinha no estado de Minas Geraisobedecerá às normas e condições mencionadas na Lei 20.549 de 18 de dezembro de 2012 e demais pertinentes. A região do Vale do Jequitinhonha reconhecida pela Portaria como produtora de queijo artesanal cabacinha é composta pelos seguintes municípios: Pedra Azul,Medina, Cachoeira do Pajeú, Comercinho e Itaobim.
Os estudos de caracterização da região de forma a comprovar a sua tradição histórica e cultural na produção dos queijos artesanais competem à Emater-MG e Epamig. A identificação do Vale do Jequitinhonha como região produtora do Queijo Artesanal Cabacinha foi desenvolvido por equipes técnicas da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), IMA, Emater-MG e Epamig.
Higiene
José Ferreira fala sobre a importância da higiene na produção do queijo cabacinha. “A higiene é muito importante. A gente vê nas beiras das rodovias aqui do Vale, os queijos expostos sem qualquer embalagem para protegê-los do pó, da poeira e isso é um erro grave. Desde de janeiro de 2012, o IMA e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fiscalizam tudo isso porque um queijo exposto a poeira e fumaça e pode transmitir doenças para o consumidor”, finaliza Ferreira.
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