sexta-feira, 5 de setembro de 2014

MP denuncia oito investigados na Operação Violência Invisível – Capelinha teve prejuízo avaliado em cerca de R$ 4,1 milhões


O Ministério Público de Minas Gerais (PMMG) ofereceu à Justiça denúncia contra oito investigados na operação Violência Invisível, em Montes Claros, norte de Minas Gerais. Eles são suspeitos de desviar mais de R$ 6 milhões com compras de créditos precatórios falsos.

A denúncia foi apresentada nesta sexta-feira (5) durante uma entrevista coletiva na sede do MP em Montes Claros.

Foram denunciados o ex-prefeito Luiz Tadeu Leite, o ex-secretário de administração Elias Siuf, o ex-procurador do município Sebastião José Vieira Filho, o presidente da comissão se licitação Noélio Francisco Oliveira, o proprietário da empresa Digicorp, Mateus Roberte Carias, e sua esposa, Rosilene Trindade Rodrigues Carias, e os dois funcionários da Digicorp, Marcos Vinícius da Silva e Ademilson Emídio de Abreu.

As fraudes, de acordo com a denúncia ocorreram entre 2011 e 2012. Neste período foram realizadas 25 transferências bancárias com diversos valores. “Foi apurado que o dinheiro foi depositado em uma única conta, do Mateus Carias. Descobrimos ainda que vários saques foram realizados após os depósitos”, afirma o procurador Guilherme Roedell.

Se a denúncia for aceita pela Justiça, os envolvidos podem ser julgados por formação de quadrilha, fraude em licitações e 25 crimes de peculato.

Em Capelinha

No município de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, o contrato com a Digicorp foi assinado em novembro de 2011, na administração de Pedro Vieira da Silva e foi suspenso em janeiro de 2013, pelo atual prefeito, José Antônio Alves de Souza, o Zezinho da Vitalina.

A cidade teve um prejuízo avaliado em cerca de R$ 4,1 milhões e alguns ocupantes de cargos de confiança são alvos das investigações.

Defesa
A defesa do ex-prefeito Luiz Tadeu Lei afirma que todos os fatos apresentados pelos Ministério Público estadual já foram divulgados há mais de um ano, sem qualquer novidade. “Luiz Tadeu Leite já apresentou sua defesa à Justiça sempre cumprindo rigorosamente os prazos determinados”, diz em nota.

Ainda segundo a defesa, assim que a Prefeitura de Montes Claros foi vítima de golpistas, o ex-gestor adotou medidas judiciais cabíveis no sentido de resguardar o patrimônio público, inclusive, obtendo provimento judicial favorável ao município, bloqueando os bens da empresa envolvida.

Sebastião Vieira, ex-procurador do município, afirmou que está sendo “vítima de alegações inverídicas”, tendo uma vida construída com honradez. Ele informou também que não conhece o conteúdo do processo e no momento oportuno irá se manifestar sobre as acusações.

Elias Siufi disse que não iria se pronunciar sobre o assunto, já que desconhece o mesmo e negou participação no suposto esquema.

Noélio Francisco Oliveira, Mateus Roberte Carias, Rosilene Trindade Rodrigues Carias, uncionários da Digicorp, Marcos Vinícius da Silva e Ademilson Emídio de Abreu não foram encontrado para comentar a denúncia do Ministério Público.

Entenda o esquema
A denuncia afirma que a quadrilha com origem no Espírito Santo atuava em várias regiões do país. No norte de Minas, segundo o Promotor Guilherme Roedell, Marcos Vinícius da Silva e Ademilson Emídio de Abreu mostravam aos municípios mecanismos de como seriam realizados os desvios por meio de licitação para a contatação de precatórios, direcionada à Digicorp.

“Além dos títulos eles ofereciam ainda o serviço de assessoria para a aplicação dos créditos adquiridos. Para a contratação eles ofereciam propinas e comissões aos agentes funcionários públicos”, afirma o promotor.

Violência Invisível
A Polícia Federal deflagrou, em julho de 2013, a Operação Violência Invisível para desarticular uma organização criminosa que desviava recursos públicos em mais de cem cidades de onze estados do país. De acordo com a PF, a quadrilha é formada por empresas, pessoas físicas, servidores públicos e ex-prefeitos que fraudavam processos licitatórios, direcionando as contratações a uma das empresas integrantes da organização criminosa.

G1 – COM ALTERAÇÕES

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