segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Minas Gerais teve janeiro mais quente da história

secaaaaMinas Gerais teve o janeiro mais quente da história em 2015. Também foi o mês em que Belo Horizonte quase bateu um recorde de temperatura da década de 1980. E diante da ameaça de um racionamento devido ao baixo nível dos reservatórios que atendem a Grande BH, as nottícias não são animadoras. Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, que dá um panorama do período chuvoso no estado, ainda não há previsão de chuvas expressivas até março.

“A maior temperatura do histórico do mês de janeiro em Belo Horizonte foi de 35,4 graus em 1988. No dia 21 de janeiro de 2015 nós chegamos a ter 35,1 graus na capital. Em termos de recorde de temperatura, foi a segunda mais elevada para o mês de janeiro”, explica o meteorologista do Climatempo. Ele destaca que a situação também se repetiu nas outras regiões. “No estado, em geral as temperaturas ficaram em torno de 4 graus acima do normal. Inclusive devido à sequência de dias com temperaturas elevadas, foi o mês de janeiro mais quente da história no estado. Não foi só um dia de calor, foi o mês todo”.


Ruibran dos Reis atribui o janeiro atípico à atuação de um sistema em toda a Região Sudeste desde o ano passado. “Essa massa de ar quente que está dificultando a formação de nuvens, que podem provocar aquelas famosas chuvas de verão, está fazendo um bloqueio à entrada de frentes frias”, explica. “É normal o sistema atuar nessa época do ano, não com tanta severidade quanto atuou neste ano e também em uma área de abrangência tão grande quanto foi”. O meteorologista afirma que esses fenômenos já haviam sido previstos em 2007 no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e acontecem em escala global.

Desde o segundo semestre de 2014, diversas cidades mineiras vêm enfrentando sérios problemas com a estiagem. Na semana passada, o governador Fernando Pimentel (PT) disse que cerca de 100 municípios decretaram situação de emergência por causa da seca. Segundo Ruibran dos Reis, a Grande BH registrou apenas 95 milímetros de chuva em janeiro. Em Minas a precipitação também foi baixa. “As chuvas no estado ficaram entre 30 a 35% do esperado. Em 1963, um ano muito ruim de chuva, só choveu 500 milímetros durante o ano inteiro. Nesse ano de 2014 tivemos 945 milímetros. Foi o segundo pior ano em termo de chuva no estado”.

As piores regiões em termos de estiagem, conforme o meteorologista, foram Norte, Noroeste e os vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce. O Sul de Minas Gerais, bem como a Zona da Mata, Campo das Vertentes, Oeste, e Triângulo Mineiro foram beneficiados pela frente fria que atua em São Paulo e tiveram chuva.

PREVISÃO No início de fevereiro, as chuvas continuarão vindo em forma de pancadas e precipitação isolada. Nesta semana, uma frente fria que atua no Rio de Janeiro pode causar chuvas isoladas nas regiões Oeste, Sul, Zona da Mata, Campos das Vertentes e na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Fechando a quinzena, será a vez do Triângulo Mineiro, e novamente nas regiões Oeste e Central. Depois disso, mais uma estiagem. “Neste fevereiro as chuvas devem ficar em torno de 40% do esperado. Esse padrão vai ser mantido até o fim (do período chuvoso). No mês de março ainda não há previsão de chuva expressiva”, diz.

Para Ruibran dos Reis, a Região Sudeste pode ter a pior estação chuvosa da história, agravando a crise hídrica. “Essas chuvas não devem reverter a situação (dos reservatórios). Neste ano as nascentes vão secar muito mais cedo, o número de focos de incêndio também vai ser alto no estado”, alerta. Ainda existe uma previsão positiva em relação ao próximo período chuvoso, que começa em outubro

de 2015. Segundo Ruibran, novembro e dezembro serão meses com chuvas expressivas.

ITAVERAVA Localizada na Região Central do estado, a cidade enfrentou fortes chuvas entre a noite de sábado e a madrugada de domingo. As três horas de temporal levaram ao transbordamento do córrego que passa em parte da cidade, inundando 70 residências. De acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais, funcionários da prefeitura e voluntários ficaram responsáveis pela limpeza das ruas. Os danos materiais ainda estão sendo contabilizados e o prefeito da cidade decretou situação de emergência nas áreas afetadas. Apenas uma das famílias permanece desalojada. Ninguém ficou ferido.
UAI

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