segunda-feira, 30 de março de 2015

Cortes de investimentos ameaçam melhorias das estradas mineiras

Cenário de austeridade provoca cortes de investimentos e se reflete em obras paradas por todo o país. Em Minas, recuperação de estradas incluídas em programas estaduais e federais é adiada.

A paralisação das máquinas e a redução no número de operários em obras pelas rodovias mineiras são alguns dos impactos mais perversos do arrocho fiscal e cortes de investimentos, temas que tomaram conta do debate político nos primeiros meses do ano. O cenário de austeridade já se reverte em um semestre com pouca liberação de verbas e muitos adiamentos de ordens de serviços – etapa que marca o início das obras. Em Minas Gerais, estado com a maior malha rodoviária do país, a frustração da população, que ouviu nos últimos anos promessas de melhorias para suas estradas, é ainda maior. E a decepção começa a se transformar em protestos em várias regiões. Na semana passada, a BR-367, no Vale do Jequitinhonha, foi fechada por moradores por três dias. Tanto nas vias estaduais, quanto nas federais, as definições sobre novos investimentos estão paradas e somente a partir do segundo semestre devem ser retomadas.

Segundo relatório de fevereiro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG), 31 obras em MGs que estavam inscritas no programa Caminhos de Minas, lançado pela gestão anterior do governo estadual, já têm projetos de engenharia concluídos, mas estão totalmente paralisadas, sem previsão de início das obras de asfaltamento. Outras 76 obras tiveram a elaboração do projeto executivo interrompida. O programa foi lançado em 2010, pelo então governador Antonio Anastasia (PSDB), como continuidade do ProAcesso e previa o asfaltamento de mais de 8 mil quilômetros de estradas mineiras, mas, até agora, apenas 251 quilômetros foram concluídos.

O cenário se repete nas rodovias federais, de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit). Segundo o relatório do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) para o setor do transporte, sete obras de melhorias nas BRs mineiras estão na fase de estudos preliminares e a previsão é de que possam ser licitadas a partir de junho. Em andamento, por enquanto, apenas editais para a manutenção das rodovias. No início do mês, decreto da presidente Dilma Rousseff(PT) definiu um corte de 23,7% nos gastos do PAC até abril. A medida foi determinada pela equipe econômica federal para equilibrar as contas públicas.
Protestos e atrasos

Nos vales do Jequitinhonha e Mucuri os atrasos para tirar do papel melhorias nas estradas têm gerado insatisfação, uma vez que promessas de asfaltamento ocorrem desde os anos 1990. Na semana passada, moradores interditaram por três dias a BR-367, próximo a Virgem da Lapa, cobrando obras de manutenção e maior fiscalização para caminhões de carga pesada. A rodovia, que atravessa todo o Jequitinhonha e tem mais de 80 quilômetros em terra batida, é considerada essencial para o desenvolvimento da região. Desde 2010, a obra foi incluída no PAC, mas ainda não começou. Segundo relatório do Ministério do Planejamento, a pavimentação da BR-367 está em fase de preparação, e a previsão de início das obras é para o segundo semestre.

A região mais pobre do estado também recebeu várias promessas de obras de pavimentação por parte do governo estadual, mas poucas foram executadas. Dois trechos entre Setubinha, Capelinha e Itamarandiba – em um total de 102 quilômetros – foram incluídos no programa Caminhos de Minas. Um dos trechos teve projeto concluído, mesmo assim, não há previsão para o início das obras. “Será que nosso sonho e o de pessoas que transitam no local, de ter asfalto, demorará mais décadas? Capelinha e Itamarandiba somam mais de 71 mil moradores e o trecho de 52 quilômetros entre as duas cidades está em péssimas condições, sem asfalto”, cobra o administrador Darlan Farnezi, de 27 anos.

O morador aponta que a revitalização no trecho será importante para diminuir o tempo de viagem até o hospital de Diamantina, referência na região. “São anos de promessas não cumpridas, e o Vale do Jequitinhonha clama por atenção. Lembro de que, quando anunciada, foi falado que já existiam recursos disponíveis. Fiz agora uma nova reclamação no DER e ouvi do órgão que a obra não começará porque não tem nenhum recurso disponível”, diz Farnezi.

Na Zona da Mata, um trecho de 50 quilômetros da BR-120, que liga São Geraldo e Dona Euzébia está em péssimas condições. “Essa estrada, construída na época de Getúlio Vargas, segue até Itabira. Mas o trecho que corta nossa cidade está em terra batida e nunca foi incluído em nenhum programa”, cobra o secretário de Turismo de Visconde do Rio Branco, Cleber Lima. O movimento Pró-Asfalto 120, liderado pela cidade, que promoveu um protesto ontem, recebeu o apoio de cidades vizinhas, que também cobram as melhorias na via para facilitar a mobilidade na região. Apesar de ser uma BR, o trecho é de responsabilidade do DER-MG.

Estadod e Minas 

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