quinta-feira, 21 de maio de 2015

‘Ele morreu pela profissão’, afirma mulher de jornalista decapitado

Segundo a viúva, o jornalista investigava crimes políticos na região.

A viúva do jornalista Evany José Metzker, de 67 anos, morto decapitado em Padre Paraíso, acredita que a profissão foi a causa do assassinato do marido. Segundo a professora Ilma Chaves Silva Borges, de 51 anos, o jornalista seguia uma linha investigativa e sempre fazia levantamentos de organizações criminosas e crimes políticos na região do Vale do Jequitinhonha.

Evany foi encontrado decapitado, seminu e com as mãos amarradas, na zona rural de Padre Paraíso, na segunda-feira (18). A cabeça da vítima foi localizada horas depois, a 100 metros do corpo. 
“Ele era um cara destemido e ousado. Não tinha medo de investigar, escrever e publicar. Trabalhava em uma região perigosa, e mesmo assim não tinha medo. Ele foi para Padre Paraíso há 90 dias, e estava levantando matérias nessa região. Infelizmente meu marido só trabalhava com investigações pesadas, fazia levantamentos sobre polícia, criminalidade, política, roubo de cargas, prostituição”, conta a viúva que manteve uma união estável de 11 anos com o jornalista.


O repórter era o responsável pelo blog “Coruja do Vale”, e já foi proprietário de um jornal impresso na cidade de Medina, em 2001. Segundo a esposa, o conteúdo das matérias publicadas sempre foi polícia e política.


“Devido a esse perfil profissional que ele apresentava, nada me tira da cabeça que ele foi morto pelo que fazia. Não sei exatamente qual era a matéria que ele estava preparando, mas trazia riscos, já que ele sempre comentava comigo o que estava escrevendo, mas quando foi para Padre Paraíso não me disse nada”, relata.

Ilma lembra que viveu uma semana de desespero. A última vez que ela falou com marido foi nas redes sociais na quarta-feira (13). “Ele me disse que estava preparando para vir para Medina na sexta-feira. Estávamos conversando, e até aquele momento Evany estava na pousada. Ele me disse que ia dar uma saidinha e voltava logo pra gente continuar conversando. Acredito que ele foi assassinado neste dia”, diz.
A viúva conta que no dia seguinte entrou em contato com o marido, por meio de mensagens, e ele não respondeu. Preocupada, Ilma começou a procurar o marido e não encontrou.
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  • “Liguei para a pousada depois de esperar o dia inteiro por uma ligação dele. A recepcionista que atendeu disse que ele havia viajado. Como não tive notícias, liguei novamente no outro dia, e nada. Sem informações, acionei a polícia”, acrescenta.
A professora também informou que descarta a hipótese de que o marido tenha sido morto por crime passional. Segundo a viúva, a dona da pousada, onde o jornalista estava hospedado, disse que Evany recebeu somente um amigo durante o período em que esteve no local.
“A proprietária me disse que ele recebeu no quarto somente um amigo de profissão, um outro jornalista, que também tinha um blog na região. Acredito que eles estavam trocando informações. Infelizmente ainda não conseguir falar com esse jornalista, entreguei tudo nas mãos da polícia”, diz.
Sindicato repudia
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais formalizou nessa terça-feira (19), junto ao secretário adjunto de Defesa Social do Estado de Minas Gerais, Rodrigo Melo Teixeira, a solicitação de envio de uma força-tarefa do governo estadual para investigar e denunciar os culpados pelo assassinato do jornalista Evany José Metzker.
Segundo o sindicato, o caso se reveste de imensa gravidade, pelo caráter bárbaro do crime, que abalou não apenas a categoria dos jornalistas mineiros, mas toda a sociedade brasileira, com repercussão inclusive no exterior. Segundo a nota, quando um jornalista sofre violência, toda a sociedade é atingida no seu direito à informação.
O sindicato lembrou ainda um caso semelhante, ocorrido no início de 2013, em Ipatinga, quando foram assassinados o jornalista Rodrigo Neto e o repórter fotográfico Walgney Carvalho.
Investigação
A delegada responsável pelo caso, Fabrícia Noronha, diz que a polícia vai trabalhar com duas linhas de investigação; morte por queima e arquivo, no caso dele estar trabalhando em alguma investigação, ou se o crime teve motivação passional, e que descarta a possibilidade de latrocínio; roubo seguido de morte.
“Não levamos em consideração o latrocínio, porque além de achar os pertences dele, quem o executou também não fez questão de ocultar o crime, uma vez que ele foi encontrado em um lugar onde as pessoas circulam e o corpo não estava enterrado”, disse.
De acordo com informações da Polícia Militar de Padre Paraíso, o laudo da perícia ainda não divulgou como o jornalista foi decapitado, mas adiantou que não havia nenhum outro tipo de ferimento no corpo de Evany Metzker.
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