segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crescimento de favelas no Interior de Minas - Famílias já enfrentam grandes problemas

Cidades de pequeno e médio porte já convivem com o crescimento dos aglomerados, onde as famílias enfrentam a violência e o tráfico de drogas e vivem sem água, esgoto e educação

Elas já foram sinônimo de êxodo rural e do crescimento desordenado das capitais e regiões metropolitanas. Hoje, são uma das preocupações das médias e pequenas cidades de Minas Gerais, que assistem, em muitos casos, ao avanço das favelas e dos dramas vividos por quem mora em situação precária, pendurado nas encostas, em vielas e ruas sem asfalto – muitas vezes sem água tratada ou esgotamento sanitário – e à mercê do tráfico de drogas e da violência.


Oficialmente, em Minas, só há favelas em 33 municípios, a maioria delas concentrada em Belo Horizonte e região metropolitana e em polos como Ipatinga, no Vale do Aço, Juiz de Fora, na Zona da Mata, Governador Valadares, no Rio Doce, e Montes Claros, no Norte do estado. Em cidades pequenas, com menos de 50 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas só existem em 11 municípios mineiros. Nos outros, são invisíveis, já que, para o instituto, as favelas, ou, melhor, aglomerados urbanos subnormais, para usar a mesma terminologia do IBGE, precisam ter pelo menos um conjunto de 51 casas, independentemente do tamanho da cidade, para serem reconhecidas como tal.

No entanto, para a Central Única das Favelas (Cufa), entidade que em setembro será premiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), favela é qualquer aglomerado urbano com alto índice de exclusão social. E elas existem em muitas das regiões do estado, tanto que a Cufa já estendeu seu trabalho para cidades do interior do estado e de todo Brasil onde, oficialmente, não existem favelas. “No interior, o que tem acontecido é a reprodução, em menor escala, das favelas dos grandes centros, com todas as suas mazelas, como exclusão social, falta de serviços básicos e comércio de drogas com estruturas organizadas e disputa de gangues de traficantes”, afirma Francis Henrique, de 36 anos, presidente da Cufa mineira e que assume em setembro o comando nacional da entidade. “A favela avançou muito nos últimos anos em todo o Brasil. Se eu levar alguém a uma favela de Mariana, cidade considerada patrimônio histórico mundial, não vai ver muita diferença de uma favela da capital. Às vezes, essa situação no interior é até pior, porque as prefeituras pequenas têm menos recursos e em algumas situações, menos preocupação com essa situação”, afirma Francis. Segundo ele, muitos administradores públicos, por preconceito, rechaçam o termo favela. “Mas o que existe é favela mesmo”, afirma.

A pequena Padre Paraíso é um exemplo da favelização em municípios do interior do estado. Cortada ao meio pela BR-116, a cidade, com cerca de 19 mil habitantes, chama a atenção de quem passa pela rodovia não por causa do portal que anuncia ser ali a entrada para o Vale do Jequitinhonha – uma das regiões culturamente mais ricas do estado, com uma população de quase 1 milhão de habitantes, que sofre com a seca prolongada, que afeta a economia da região –, mas pela quantidade de casas incrustadas em dois morros. De longe, a imagem lembra os aglomerados dos grandes centros urbanos. De perto, a realidade não é diferente. Muitas moradias são precárias, e lá no topo de um dos dois morros, onde fica o mais recente conjunto habitacional da cidade, batizado de Bela Vista, as ruas são de terra e não há nenhum serviço público, como creche ou escola.

UAI

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