domingo, 5 de julho de 2015

Vale do Jequitinhonha: Corpo de Chica da Silva pode ser exumado



Uma equipe forense deverá fazer a exumação dos corpos de Chica da Silva – escrava alforriada que viveu em Diamantina, no Alto Jequitinhonha, no século XVIII – e do parceiro dela, o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. O processo depende de formalização na Justiça, mas a Irmandade São Francisco de Assis, onde Chica foi sepultada, já autorizou o procedimento, que faz parte do documentário científico “A Rainha das Américas: a verdadeira história de Chica da Silva”. O objetivo é descobrir altura, peso e outros dados do histórico casal. Ambos serão reconstruídos em holograma, e Chica ganhará estátua na cidade.

O longa tem previsão de lançamento para 2017 e será dirigido por Zezé Motta, que interpretou a personalidade em filme dirigido por Cacá Diegues. “Queremos (fazer a exumação) no dia da morte de Chica, 15 de fevereiro, mas a data ainda não está certa”, informou, por e-mail, Rosi Young – roteirista brasileira radicada nos Estados Unidos e uma das produtoras do filme.

O líder do projeto, o antropólogo forense Anthony Falsetti, deve visitar Diamantina em novembro. O especialista, que trabalhou na equipe de exumação da princesa russa Anastásia Romanov, terá ao seu lado a neozelandesa Ann Horsburgh – responsável por analisar o DNA do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln.

Expectativa. “O processo terá início, de fato, a partir da vinda da equipe (a Diamantina)”, diz o secretário municipal de Cultura, Walter Cardoso França Junior. Ele disse que alunos da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri acompanharão a exumação e destacou a importância do processo para a cidade.

“Todos vão ficar muito entusiasmados com isso. Reativar a história de Chica da Silva com o documentário e a construção da estátua será mais um atrativo turístico da cidade”.

Importância histórica:

Francisca da Silva de Oliveira nasceu em Serro, no Alto Jequitinhonha, em 1732. Ela viveu no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, por quase toda a vida. Em 1754, a escrava foi alforriada pelo contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, com quem viveu por 16 anos e teve 13 filhos. Chica morreu em 1796. A união de Chica e João é considerada a primeira relação inter-racial aceita pela sociedade no Brasil.
Fonte : Jornal O Tempo , 04 de julho de 2015.

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