segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Após anunciar água em Marte, Nasa diz ser 'possível' vida no planeta



A Nasa anunciou no início da tarde desta segunda-feira (28) a descoberta de água líquida em Marte. "Marte não é o planeta seco e árido que pensávamos no passado que era", afirmou Jim Green, diretor de ciências planetárias da Nasa, em coletiva de imprensa. "Sob certas circunstâncias, foi achada água líquida em Marte", acrescentou.

"Existe vida em Marte? As evidências supõem que isto é possível", disse o cientista da Nasa John Grunsfield. "Nossos instrumentos tecnológicos hoje mostram um planeta muito mais complexo e dinâmico. Quando exploramos, fazemos descobertas. A partir disso podemos responder a perguntas como de onde nós viemos, para onde nos vamos? Qual é o futuro da vida no planeta Terra?"
Estudo publicado

As curiosas linhas que cortam as encostas de Marte poderiam ser fluxos de salmora, uma solução aquosa saturada de sal, de acordo com novos dados que apoiam a tese da existência de água líquida extraterrestre, um pré-requisito para a vida.
Cientistas indicam em um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Geoscience ter encontrado sinais, nesses traços impressionantes, da presença de minerais hidratados, que requerem a presença de água para a sua formação.
"Estes resultados apoiam fortemente a hipótese de que as linhas contenham água líquida em estações quentes de Marte e atualmente", sugere o estudo.
Os astrofísicos evocam há muito a hipótese de que esses traços que aparecem sazonalmente possam ser formado por fluxos de água salgada no Planeta Vermelho.
As linhas, que podem ter até várias centenas de metros por cinco metros de largura, aparecem nas encostas de Marte durante as estações mais quentes, alongam-se e desaparecem quando as temperaturas caem.
"A existência de água líquida em Marte - mesmo que ela seja super salgada - dá a possibilidade de que caso haja vida em Marte nós temos uma maneira de justificar sua sobrevivência".
Com diversas missões para Marte já nos estágios de planejamento, a questão de se há vida no planeta é agora "um questionamento concreto, que poderemos responder", disse Grunsfeld.
A presença de água também vai tornar mais fácil o envio de missões tripuladas por seres humanos ao planeta vermelho, um objetivo que a Nasa tem para 2030.
"Para sermos capazes de viver na superfície, os recursos estão lá", afirmou Grunsfeld.
A água é "crítica", disse, mas o planeta também oferece outros elementos-chave como nitrogênio, que pode ser usado para cultivar plantas em estufas, e os tipos de sais que podem ser usados ​​para fazer combustível de foguete.
Os especialistas acreditam que a presença de água em Marte mudou há 3 bilhões de anos devido a uma importante mudança climática. "Hoje revolucionamos o que acreditávamos sobre este planeta", afirmou Green.
"Nossas sondas estão descobrindo que há muito mais umidade no ar do que supúnhamos", acrescentou.
As sondas que investigaram a superfície de Marte também descobriram que o solo é muito mais úmido que o pensado antes.
Há quatro anos, foram observadas linhas escuras linhas, que podem ter até várias centenas de metros por cinco metros de largura, aparecem nas encostas de Marte durante as estações mais quentes, e alongam-se e desaparecem quando as temperaturas caem.
"Foram necessárias várias naves espaciais ao longo de vários anos para resolver este mistério, e agora sabemos que há água líquida na superfície deste planeta frio e deserto", afirmou Michael Meyer, cientista-chefe do programa de exploração de Marte da Nasa.
"Parece que quanto mais estudamos Marte, mais aprendemos sobre como a vida pode ser mantida e sobre onde há recursos para apoiar a vida no futuro".
Mas as imagens do Mars Reconnaissance Orbiter não são precisas o suficiente para fornecer mais detalhes. Os pixels das imagens são maiores do que a largura dos traços.
Em abril, cientistas relataram na revista Nature Geoscience que percloratos de cálcio eram "generalizadas" na superfície do nosso planeta vizinho.
O perclorato, um tipo de sal idêntico ao discutido hoje, é muito absorvente e reduz o ponto de congelamento da água de modo que permaneça líquido a temperaturas mais baixas.
O novo estudo, co-escrito por alguns dos mesmos cientistas, fornecem mais evidências da existência deste fluxo de salmoura.

ESTADO DE MINAS

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