domingo, 11 de outubro de 2015

Com dedicação e criatividade, professores encaram desafio de atrair atenção das novas gerações

Telefones celulares com múltiplas funcionalidades, redes sociais que possibilitam a interação com todo o planeta, vídeos e músicas ao alcance de um clique… Diante do mundo que as inovações tecnológicas descortinam, ficar sentado em frente ao quadro e prestar atenção por horas a fio às explicações não parece tarefa das mais atraentes para milhares de estudantes. As novas gerações que ocupam os bancos escolares desafiam professores a se deslocar do papel tradicional de transmissores de informação. “O papel do professor mudou. Com o avanço tecnológico, os alunos têm domínio de conteúdo muito grande. Quem ensina tem de assumir o papel de mentor”, diz o professor de geografia Aldo Resende, de 38 anos, que há 14 anos se dedica à docência.

Nesta semana, em que se comemora o Dia dos Professores – em 15 de outubro –, o Estado de Minas buscou mestres e especialistas para revelar como essa missão vem sendo enfrentada nos mais diversos níveis e ambientes educacionais. “O desafio do professor é formar um aluno pensante, que construirá suas próprias opiniões. Para isso, o profissional tem que ser um encantador”, diz Bruno Ramos, diretor do Colégio Pitágoras de Belo Horizonte, que optou pela docência depois de pedir afastamento da Força Aérea. Profissionais como ele são essenciais para a formação das novas gerações, desde a alfabetização até os cursos de doutorado. No sistema educacional brasileiro, esse contingente estratégico se divide entre a educação básica – que engloba o ensino infantil e os níveis fundamental obrigatório de nove anos e médio – e o ensino superior. Em Minas, são 226 mil professores na educação básica e 42,3 mil na superior.

Durante os 14 anos em que se dedica à docência, Bruno Ramos viu as dinâmicas nas salas de aula se modificarem, com o surgimento de um aluno mais questionador e que precisa entender os motivos para aprender determinado conteúdo. Nesse cenário, o professor tem a missão de despertar no estudante a compreensão de que cada etapa da formação é fundamental para o futuro, e que não basta apenas a progressão de uma série para outra, com aproveitamento mediano. O conhecimento tem que fazer sentido para o estudante. “Não se trata apenas de transmitir conteúdo: o professor precisa mostrar que é importante”, pontua.
Para dar conta dessa nova postura, especialistas em educação apontam que a formação continuada é fundamental para quem leciona. O consultor em educação Júlio Furtado lembra que os mestres precisam lidar não só com o advento de tecnologias inovadoras e com o novo perfil do estudante, mas também com casos de bullying, questões de gênero e sexualidade, o debate ambiental e uma série de desafios que muitas vezes não fizeram parte de sua formação inicial. “Cada vez mais são acrescentadas dimensões com as quais os professores têm que lidar”, diz.
INTERAÇÃO O diretor Bruno Ramos aponta que o professor, ao atuar, tem que ter em mente que a didática mudou, para lidar com alunos que também mudaram. São necessárias dinâmicas interativas para que o estudante possa manter a atenção ao que está sendo apresentado. Mudaram também as relações dentro de sala. Se em tempos passados alunos tinham o máximo de respeito aos docentes, agora o respeito não se dá apenas pela autoridade: precisa ser conquistado com o diálogo. “Em vez de lutar contra a maré, o professor tem que ir a favor”, afirma ele, ao citar questões como o uso de celulares em sala de aula.
Na opinião de Bruno, a adaptação aos novos tempos não tem relação com a idade do profissional, mas com a disposição que cada um tem
  • Professor tem o dever de ser eterno aprendiz para se abrir aos desafios. “Assim como o médico, o professor não pode deixar de estudar. Não pode parar no tempo. É preciso se capacitar, buscar o melhor que pode ser”, diz.
É necessária uma reflexão permanente da prática em sala de aula, procurando identificar os melhores métodos para que o estudante possa desenvolver todo o seu potencial. Na avaliação de Bruno, o professor tem que ser espelho para os alunos. “É um exemplo a seguir. Se o profissional não está feliz em sala, não deveria estar ali”, pontua. Mas, nessa tarefa, o educador não pode estar sozinho: é preciso o apoio das instituições escolares e da família, que deve acompanhar o processo de aprendizado.
Mesmo com uma rotina de trabalho apertada, o professor de geografia Aldo Resende não se descuida da formação e procura se manter atualizado em sua área. “Estou sempre pesquisando, seja em livros ou na internet. Sempre busco uma dinâmica e didáticas diferenciadas em minhas aulas”, pontua. Desde os primeiros passos na carreira, Aldo, que trabalha no Pitágoras e também atua em cursos preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), calcula que já lecionou para cerca de 40 mil estudantes. “Tenho uma média de 3 mil alunos por ano”, diz. Realizado, ele afirma trabalhar com o que gosta. “Tenho uma relação de amizade com os alunos. Procuro desenvolver uma metodologia que me aproxime deles.”
UAI

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