segunda-feira, 8 de agosto de 2016

MORRE A MULHER MAIS VELHA DE CAPELINHA


Aos 104 anos, Dona Ana de Zé Calu não resistiu à uma forte pneumonia. O velório é em casa e o enterro, amanhã às 8h
Ana da Costa Gomes, a Dona Ana de Zé Calu, considerada a mulher mais velha de Capelinha, morreu à meia-noite deste sábado, 6 de agosto. Aos 104 anos, ela não resistiu a uma forte pneumonia. Dona Ana ficou internada inicialmente no dia 16 de junho, e permaneceu no hospital São Vicente de Paula, de Capelinha, durante oito dias. Após se recuperar, foi levada para casa, mas sucumbiu novamente à doença após outros sete dias de internação.
Há anos ela não enxergava mais, porém andava pela casa com facilidade, gostava de sentar no fogão à lenha, e tanto lavava quanto costurava a própria roupa. “Ela descansou, já estava demente, sofrendo com dores. Ela cumpriu sua sina”, relata Cida de Melo, esposa do neto de Dona Ana.
O velório já está acontecendo na casa de onde Dona Ana de Zé Calu viu Capelinha crescer: sua própria residência, na rua do Cruzeiro, 295, bairro Piedade. O enterro será nesta segunda-feira, 8 de agosto, às 8h, no cemitério local.

ANA DE ZÉ CALU NA MEMÓRIA
No mês de fevereiro, o JORNAL LOCAL entrevistou Dona Ana de Zé Calu, com seus 104 anos, às vésperas do aniversário de 103 anos de Capelinha. Entre histórias de vida, ela falou também sobre a política capelinhense de outros tempos. Releia.
DONA ANA DE ZÉ CALU: ELA, 104. CAPELINHA, 103
Os olhos já não enxergam mais, e a audição está comprometida. Ainda assim, Dona Ana de Zé Calu conta histórias de Capelinha às vésperas de sua emancipação política. A cidade completa 100 anos no dia 24 de fevereiro, e a história de Dona Ana com Capelinha começa no ano de 1912, quando chegou com a família, então com 12 anos, vinda de Minas Novas. Hoje, aos 104 anos, ela costuma ficar à janela boa parte do tempo, e lembra que a rua do Cruzeiro era só anjiquinho, um pequeno arbusto usado para fazer vassouras. “Naquela época, conheci uma mulher, era uma sinhá, rica, poderosa. Conheci duas igrejas, a Matriz e a Piedade, vi também passar carreta de criação nas ruas, fui muitas vezes colher gabiroba, mangaba e pequi no campo de avião”.
De origem humilde, Dona Ana começou a trabalhar cedo, batendo taxo para fazer rapadura. Morou por vários anos na zona rural, teve que trabalhar duro no serviço de casa, capinando a terra e lavando roupa. “Na minha família a gente não era muito de passear, o tempo era de muito trabalho”, conta a integrante de uma família de nove irmãos. Casou-se com José Aluízio de Oliveira, conhecido por Zé Calu. O cortejo do casamento foi a pé, como acontecia antigamente. O celebrante foi o padre Alexandrino, que morava em Água Boa. Zé Calu morreu há 20 anos, em 1966, aos 80 anos. Dona Ana não pôde dar à luz, mas criou dois filhos: Sebastião e Paulo, que lhe renderam netos e uma bisneta.
Das festividades capelinhenses tradicionais, Dona Ana se recorda de quando participava da “gira” com a Bandeira do Divino. Lembra também que seu marido era confrade, da Conferência Nossa Senhora da Graça, a primeira da cidade. Anos atrás, ela tornou-se evangélica.
Sobre a antiga cidade e os dias atuais, Dona Ana declara: “Capelinha virou um mundo. Sou da época do mercado do Jacinto José, ali no Maninho, e do mercado no lugar da rodoviária”.
Dona Ana conta ter presenciado a primeira eleição de Capelinha. “Eu estava em São Paulo com minha irmã mais velh

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